Ou: Um exercício de entendimento daqueles que só querem reclamar.
Num primeiro momento cheguei a
ficar ofendida com o fato de que ela escolheu fazer essa reclamação em outro
lugar, que não na nossa conversa, para externar o fato de que não estava
confortável com aquilo. E eu sempre tenho um problema com esse tipo de comportamento,
porque, dentre tantos outros motivos, gostaria que as pessoas fossem um pouco
mais claras comigo. Se essa amiga, ao invés de ter recorrido ao Twitter,
tivesse simplesmente chamado a minha atenção para o fato, eu poderia ter
prontamente pedido desculpas pelo meu comportamento, e dessa maneira passar
avaliá-lo como algo que nem sempre vai ser válido ou apreciado, por mais bem
intencionado que fosse. E aqui, nós entramos em outro tópico muito importante:
Esse acontecimento me fez encarar
o fato de que, realmente, por melhores que sejam as nossas intenções, em
inúmeras situações, nem sempre o > seu < jeito de encarar as coisas vai
ser o correto. Ou, ainda que seja o correto por quaisquer razões, nem sempre
pode vir a ser o mais adequado.
Eu sempre me vi como uma pessoa
muito prática, mas também encaro o fato de que essa praticidade pode não ser o
que as pessoas precisam, querem ou sabem fazer. Cada um tem o seu modo de agir
e encarar os próprios problemas. Entendo que a mim, como amiga, muitas vezes
cabe muito melhor o ombro amigo, estar ali para ouvir e entender o que aquela
pessoa precisa naquele momento, do que prontamente servir numa bandeja de prata
uma solução que, mais uma vez, para mim é a mais viável. Mas eu não estou na
situação do outro, entende?
Só aquela pessoa sabe o que
borbulha dentro dela e todos os desdobramentos que suas atitudes abririam
naquela situação. Acho que a partir daquele momento eu consegui entender melhor
e ficar mais atenta ao fato de que às vezes as pessoas só querem reclamar.
Tirar de dentro de si, mostrar algo que acontece, somente para conseguir
descarregar algo que tem pesado em seus corações, de certa forma. Mais ou menos
o que eu estou fazendo aqui nesse texto.
Da mesma forma que ela nunca me
falou sobre os problemas que obviamente teve com aquela conversa, eu também
nunca a chamei para conversar sobre isso; apesar de ter sinalizado de forma bem
clara que o recado tinha sido dado. Somos todos adultos, acho que cada vez mais
escolhemos nossos confrontos, ou simplesmente não mexemos onde não acreditamos
que se possa dar um jeito.
De toda forma, acho que essa experiência por mais azeda que tenha sido, me serviu para refletir sobre um comportamento que eu poderia facilmente transformar. Claro que eu não sou terapeuta de ninguém, mas é sempre bom ser ouvido. Talvez eu saiba ouvir melhor daqui pra frente.
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