terça-feira, 23 de julho de 2024

A problemática de encontrar uma solução para tudo (para quem não quer solucionar coisa alguma).

 Ou: Um exercício de entendimento daqueles que só querem reclamar.

Não faz muito tempo que vi uma amiga reclamar (de forma indireta) sobre um momento em que ela fez um relato em um grupo e eu, quando ouvi o relato, passei a opinar sobre e naturalmente, no meio da conversa, “dar soluções” que não foram solicitadas. Na minha cabeça, o que eu dizia estava servindo a um propósito: ajudar esta amiga. Mas ela pareceu profundamente aborrecida, tanto que resolveu fazer um tweet, e não falar direto para mim, como aquilo a incomodava. Óbvio que eu peguei a mensagem.

Num primeiro momento cheguei a ficar ofendida com o fato de que ela escolheu fazer essa reclamação em outro lugar, que não na nossa conversa, para externar o fato de que não estava confortável com aquilo. E eu sempre tenho um problema com esse tipo de comportamento, porque, dentre tantos outros motivos, gostaria que as pessoas fossem um pouco mais claras comigo. Se essa amiga, ao invés de ter recorrido ao Twitter, tivesse simplesmente chamado a minha atenção para o fato, eu poderia ter prontamente pedido desculpas pelo meu comportamento, e dessa maneira passar avaliá-lo como algo que nem sempre vai ser válido ou apreciado, por mais bem intencionado que fosse. E aqui, nós entramos em outro tópico muito importante:

 De boas intenções, o inferno está cheio.

Esse acontecimento me fez encarar o fato de que, realmente, por melhores que sejam as nossas intenções, em inúmeras situações, nem sempre o > seu < jeito de encarar as coisas vai ser o correto. Ou, ainda que seja o correto por quaisquer razões, nem sempre pode vir a ser o mais adequado.

Eu sempre me vi como uma pessoa muito prática, mas também encaro o fato de que essa praticidade pode não ser o que as pessoas precisam, querem ou sabem fazer. Cada um tem o seu modo de agir e encarar os próprios problemas. Entendo que a mim, como amiga, muitas vezes cabe muito melhor o ombro amigo, estar ali para ouvir e entender o que aquela pessoa precisa naquele momento, do que prontamente servir numa bandeja de prata uma solução que, mais uma vez, para mim é a mais viável. Mas eu não estou na situação do outro, entende?

Só aquela pessoa sabe o que borbulha dentro dela e todos os desdobramentos que suas atitudes abririam naquela situação. Acho que a partir daquele momento eu consegui entender melhor e ficar mais atenta ao fato de que às vezes as pessoas só querem reclamar. Tirar de dentro de si, mostrar algo que acontece, somente para conseguir descarregar algo que tem pesado em seus corações, de certa forma. Mais ou menos o que eu estou fazendo aqui nesse texto.

Da mesma forma que ela nunca me falou sobre os problemas que obviamente teve com aquela conversa, eu também nunca a chamei para conversar sobre isso; apesar de ter sinalizado de forma bem clara que o recado tinha sido dado. Somos todos adultos, acho que cada vez mais escolhemos nossos confrontos, ou simplesmente não mexemos onde não acreditamos que se possa dar um jeito.

De toda forma, acho que essa experiência por mais azeda que tenha sido, me serviu para refletir sobre um comportamento que eu poderia facilmente transformar. Claro que eu não sou terapeuta de ninguém, mas é sempre bom ser ouvido. Talvez eu saiba ouvir melhor daqui pra frente.

*manifesting*

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